quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Quero lá saber das tuas notas!


Ultimamente tenho estado envolvida em algumas conversas sobre a escola e a organização da mesma, conversas sobre os alunos impossíveis, as más condições, os maus resultados... Na minha opinião, a grande parte das nossas escolas não promove os valores e as competências que muitas vezes dizemos que queremos promover e desenvolver. E isso não só é verdade em Portugal como provavelmente na maior parte dos países pelo mundo fora.

E sabem, estou a ficar um pouco farta... e inspirei-me com uma colega sueca, a Sanna Nova Emilia que com alma e coragem, luta para melhorar as condições das crianças nas escolas suecas.



Escrevi uma carta para os meus filhos e todas as crianças que enfrentam desafios escolares todos os dias... Desafios que muitos de nós adultos nunca vivemos e nunca iremos viver.


Aos meus filhos, a todas as crianças...

Que possas sentir, sempre, o valor que tens, por quem és…

Nunca me vou preocupar com as tuas notas, nunca. Quero é saber se estiveste a aprender coisas novas com alegria, com interesse, com vontade… Não quero saber se tens um suficiente ou um muito bom… Quero saber se estiveste num ambiente onde te sentiste respeitado por quem és e não pelo que produzes. Não quero saber qual o teu lugar na estatística… Não quero saber se a média da tua escola é boa ou má comparado com as outras… Não quero saber se o nosso país está bem ou mal comparativamente com os outros países na União Europeia ou no resto do mundo….

Não quero saber se a as previsões para a tua entrada no mercado de trabalho são boas ou más… Não me interessa nada saber como o ‘sistema’ olha para ti. Só quero saber como TU olhas para TI. Interessa-me saber se o ‘sistema’ te deixou exprimir quem és. Quero saber se o ‘sistema’ esteve lá para ti, nos teus altos e nos teus baixos. Quero saber se tiveste a oportunidade de explorar livremente o teu caminho, sem julgamentos, sem deveres… Quero saber se te viram, se te sentiste respeitado, apoiado. Quero saber se te divertiste. Quero saber se estiveste mesmo bem.

Interessa-me saber que consigas manter a tua auto-estima, o teu gosto pela vida, a tua vontade de explorar enquanto passas pelos anos todos da escola. Quero saber se conseguiste ouvir os teus próprios pensamentos no meio das opiniões todas. Interessa-me saber se houve espaço para as tuas perguntas… Quero saber se te deixaram manter os teus sonhos e se conseguiste manter a confiança em nós adultos. Interessa-me saber se conseguiste continuar a acreditar em ti, em mim, nos teus professores, nos teus amigos, na vida… Interessa-me saber se conseguiste manter a tua curiosidade natural, o teu entusiasmo…

Quero mesmo muito saber se conseguiste passar estes anos todos de escola, sentindo o teu valor indeterminável… ainda com muito amor-próprio. Ainda com empatia e amor pelos outros. Se conseguiste isso, então fizeste um grande, grande trabalho.

Se quando receberes o teu diploma estiveres com a tua integridade intacta, com a tua auto-estima em alta, com amor e entusiasmo pela vida, cheio de coragem para enfrentar todos os teus desafios, então sim, vou ficar muito feliz e contente. 

Se naquele dia, estiveres com grande auto-conhecimento, em contacto com as tuas emoções, relacionando-te saudavelmente contigo, respeitando te a ti e às tuas necessidades, tanto como aos outros… então vais-me ver com um grande sorriso. Se naquele dia, estiveres com uma grande confiança em ti, acreditando que o teu coração é o teu guia… então, vou-te deixar voar com muita tranquilidade… e digo-te que conseguiste muito mais do que alguma vez poderia esperar. 


Com muito, muito amor,
Mia




56 comentários:

  1. Obrigada Mia, Muito Obrigada por partilhar esta carta Maravilhosa... Maravilhosa por validar que todos os dias esforço-me no meu papel de Mãe e procuro ensinar um caminho de respeito individual, respeitando cada passo da minha filhota... Maravilhosa por me confortar no meu sonho de contagiar e inspirar quem me rodeia, pais, educadores, professores, crianças a encontrarem o seu próprio caminho da felicidade e Maravilhosa por lembrar-me que consegui chegar ao "canudo" com toda a minha integridade, auto-estima, amor e entusiasmo pela Vida!!! Obrigada Mia por me lembrar que consegui estar feliz nesse momento e mostrar-me que o posso ser em cada momento da minha vida, desde que me respeito a mim própria... Aqui deixo com admiração, um beijo de gratidão...

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  2. Mia, adorei este artigo.
    Pensei que era a única mãe a pensar assim e culpabilizava-me...
    Tenho, contudo ainda algumas reservas quando a pôr estas "crenças" em prática, e assumi-lo perante todos, pois para as escolas, professores e para os colegas ainda continuam a ser as métricas o mais importante. E sinto uma grande pressão social para obter as "notas" mais do que tudo.
    No entanto, sinto que quanto mais os pais se empenham, mais os adolescentes se descomprometem e/ou desinteressam, não é?

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    1. Pois, acho que percebi durante o dia de hoje que somos muitos a pensar exatamente assim. E pergunto-me porque é que não há mais pais a protestarem... penso no porque de deixarmos a pressão social ir tão contra os nossos valores... a nossa essência. Mas acredito que está a mudar....

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    2. somos nós, cada um cidadão, que fazemos «a pressão social», independentemt do papel social que desempenhamos, defendemos ideias, certo? Vamos defender aquilo em que acreditamos, é isso que fala a carta...

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  3. Um bom artigo, com uma filosofia de vida perfeita, utópica (a meu ver) no entanto. Hoje em dia é impossível não vivermos de acordo com as "regras" impostas social e culturalmente. Penso que existe aqui aquela lógica do cobertor pequenino: se cobrimos a cabeça os pés ficam de fora, se cobrimos os pés a cabeça fica de fora. O melhor é deixar fluir o comportamento dos alunos de forma a que se "encontrem" e apenas intervir em casos considerados já de desvio. Atentamente, um professor de Educação Física.

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    1. Não é utópico, há uma escola em Pt que funcionou sob este principio com excelentes resultados. Este ano está suspensa por falta de financiamento pelo nosso maravilhoso governo... http://www.tsf.pt/Programas/programa.aspx?content_id=917979&audio_id=3417081

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    2. De facto, Luís Vale, não posso concordar mais consigo. Mas penso que só quem é professor percebe as duas realidades: a dos pais e alunos, e a dos professores. Quem não passa pelos bancos das escolas a tentar o impossível diariamente (que engloba tudo o que foi dito na carta acima e mais ainda) só compreende o outro lado. A utopia é uma coisa maravilhosa, mas não passa disso e toda a preocupação e carinho e amor que a autora expressa na sua carta é uma enorme verdade que só depende de cada um de nós expressar e demonstrar a cada dia e a cada momento, independentemente da pressão social. A chave está no equilíbrio entre o que passamos aos nossos filhos e a forma como eles depois apreendem o mundo e isso nada tem que ver com pressões sociais, ou maus professores, ou o que for. Tem a ver com a educação, o carinho e os valores que nós, pais, transmitimos aos nossos filhos quando somos pais presentes e atentos. Desculpar o insucesso ou frustração dos nossos filhos com o mundo exterior é tentar esconder a cabeça na areia e culpar os outros pelo trabalho que não soubemos fazer.
      Professora há muitos anos e mãe há mais anos ainda (17 e 23).

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    3. Luis Vale, carissimo colega de EF, não posso discordar mais... o meu entendimento de vida nunca será uma utopia, mas sim o caminho a seguir ( logo se verá o que conseguirei..) utopia é para quem desistiu de sonhar por si e encosta-se ao sonho comum ( não estou a desvalorizar, mas penso que não é o caminho a seguir)... SM desculpar seja o que for que não conseguimos concretizar ( seja pelos outros seja por nós próprios), passa apenas por uma catarse perante uma frustração... temos que saber ACEITAR simplesmente que não conseguimos por aqui, e criar novas estratégias... não é o que fazemos nos papéis?! elaboramos projetos, avaliamos, e ajustamos o projeto.... eu acredito que « sempre que um homem sonha, o mundo pula e avança» mas cada vez que andamos para trás, temos é que perceber pq e avançar de outra forma, uma vez que a anterior se revelou infrutifera... isto é dificil? Não consegimos passar isto aos nossos filhos e alunos? eu entendo ( mas posso estar enganadissima, claro) que «não quero nada da vida, mas não perco pitada do que a mesma me proporcionar» :)

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    4. Não sou professora, sou mãe de 3 crianças em idade escolar e concordo em pleno com o Professor Luís Vale. Parece-me utópico e irreal. Vivemos em sociedade, não vivemos alheados da realidade em que vivemos. O que mais quero é ver os meus filhos felizes, mas sei que um dia isso vai passar pela escolha de uma profissão e como é óbvio não lhes posso ensinar que as notas são irrelevantes, pois não são e nunca foram, nem no meu tempo de criança... Uma mãe que em jovem não quis saber de notas mas apenas de ser feliz, dizia-me no outro dia que diz todos os dias à filha para lutar pelo sucesso escolar pois será isso que um dia lhe permitirá uma vida confortável... Só quero os meus filhos felizes, mas não só agora, não só crianças felizes mas também adultos felizes e para isso construímos o futuro de pequenos...

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  4. Grata pelo dom de transformar em palavras, o sonho de muitos nós!
    Não resisti a partilhar e espero que a mensagem se espalhe pelo coração de muitos pais, professores, decisores e sobretudo muitas crianças e jovens.
    Pertenço a uma Associação que partilha esta mesma missão.
    Quando puder espreite: www.zoomtalentos.com
    Um abraço cheio de esperança e confiança,
    Isabel Faia

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  5. Descobri este blog por acaso e em boa hora o fiz! ei, por experiência que a escola não "esteve lá" nem "está lá" para os meus filhos. Receio que a minha atitude, que confesso nunca foi por mim tão bem exposta como aqui faz, passe por desprendimento e desinteresse... até para os meus mais-que-tudo...
    Muito obrigada por me fazer crer que não estou sozinha...

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  6. Acabo de descobrir este texto e este blogue graças à partilha da minha amiga Isabel Faia (grata!) e estas palavras traduzem belissimamente aquilo que desde sempre sinto e partilho como mãe e como 'guerrila parent', para usar a expressão de Grace Llewellyn e Amy Silver, no seu livro Guerrila Learning. Como pais devemo-nos perguntar sempre, o que é a educação para nós, para a nossa família, quais são os nossos valores e o que verdadeiramente nos move e nos deve guiar... e agir de acordo com isso mesmo! Se fizermos essa pergunta e refletirmos em consciência, cedo percebemos que educação e escola não são a mesma coisa, o 'sistema' é cego, é obsoleto e infelizmente não foi desenhado para servir o verdadeiro desenvolvimento humano dos nossos filhos, nem facilita nada a vida a quem dentro dele tenta, apesar de tudo, servir a nobre missão de educar. A nós pais cabe-nos sempre a responsabilidade maior de amar e educar os nossos filhos e de reconhecer esse Amor e a própria Vida como a maior de todas as escolas.
    O meu abraço e gratidão por esta partilha em que tantos de nós, e cada vez mais, se revêem!
    Carla Guiomar

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    1. se amarmos os nossos filhos, e lhes dermos o exemplo concreto, ao vivo e na prática daquilo que esperamos deles ( se os acompanharmos verdadeiramente) estaremos a da-lhes a segurança individual que necessitam para enfrentar «o mundo» com todas as diferenças, nuances e desafios que a vida deve ser :) gosto dessa expressão « guerrila parent» e vou procurar o livro referido...

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  7. Desde muito cedo e até a faculdade sempre soube que a escola era algo que o meu filho não gostava! Sempre lhe disse e continuo a dizer que o importante é aquilo que nos realiza e faz felizes! Obrigado


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    1. um dos meus 1ºs discursos que dou aos meus alunos nas 1ªs aulas de cada ano letivo é «a escola devia ser o melhor lugar do mundo, estamos com amigos da nossa idade, e estamos a aprender montes de coisas novas»

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  8. Gostei tanto de ler este texto! Li-o e senti duas emoções completamente diferentes.
    Primeiro, tristeza por na minha educação não ter existido este respeito e esta orientação mais pela pessoa do que pelas notas. Segundo, entusiasmo por poder fazer diferente. Enquanto "encarregada de educação" revejo-me em cada palavra aqui escrita. Obrigada pela partilha.

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  9. Obrigada! Gostei muito.Vou ler mais...
    Alexandra
    http://vivertodososdiasaqui.blogspot.pt

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  10. Isto de escrever cartas bonitas é muito bonito, sim senhor, mas é de uma ingenuidade medonha. Para começar, começa por assumir um discurso direccionado para a criança/filho que não tem o entendimento (surpreenda-se!) que o adulto que para ele fala. Acredito que possa ser uma introspecção, mas fale-lhe de não impor regras (na verdade, para isso nem é preciso falar) nem metas quantitativas e ele compreenderá "balda".
    De seguida apresento um ou outro comentário; um parágrafo por parágrafo.

    Eu dou aulas a alunos que muito respeito e encorajo a aprender. Mais do que um cumprir escrupuloso de um programa e um adquirir ferramentas de cálculo (a minha área é a Matemática), pretendo que eles pensem, experimentem e conheçam um background histórico desta ciência, visando uma melhor compreensão do funcionamento do mundo que os rodeia (sim, porque quase tudo tem uma explicação ou suporte matemático, seja ele óbvio ou difícil, conhecido ou não. A gravidade já existia antes de Newton), desde como funciona um empréstimo e respetivos juros, a calcular a altura de um dado edifício, passando por perceber o que é a concentração de uma mistura. O problema é que eles (e aqui há felizmente numerosas excepções) voluntariamente não aprendem, nem com alegria, nem com vontade e muito menos interesse. Pensam vocês: "Ah, é da Matemática!". Mas eu direi: "não, não é". Na verdade, os meus colegas das mais diversas áreas falam-me de cenários bem tristes, bem mais complicados do que os que eu tenho de lidar, desde desrespeito, desapreço, apatia e sempre tudo temperado com uma forte dose de incultura, para não dizer analfabetismo (relativo, vá!).
    Volto a frisar que esses (e todos os alunos) são respeitados pelo que são, mas são avaliados e valorizados pelo que produzem e/ou se esforçam. Há exemplos de alunos com uma atitude combativa que superam as minhas espectativas e há os que podiam bem ter nascido um animal de estimação: comem, fazem as suas necessidades, dormem e chateiam nas horas restantes.
    Concordo com o seu texto, quanto ao abdicar de saber qual o papel da criança na "estatística" do sistema, e sim com a autovalorização pela aprendizagem aliada à curiosidade.

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    1. Devia ter vergonha pela frase que escreveu: "Há exemplos de alunos com uma atitude combativa que superam as minhas espectativas e há os que podiam bem ter nascido um animal de estimação: comem, fazem as suas necessidades, dormem e chateiam nas horas restantes."
      É vergonhoso termos professores assim, tão primitivos, em contacto com crianças!

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    2. MegaC4, recomendo VIVAMENTE o livro do Daniel Pennac "mágoas de escola". Creio que o/a poderá ajudar a olhar para os seus alunos de forma mais optimista.

      Discordo da Suzana. Apesar de não concordar consigo em muita coisa, reconheço e compreendo o que transmite. Creio que apanhas os alunos já "estragados". A Mia escreve para crianças dos primeiro ciclo.

      Tenho o exemplo das minhas crianças, que estão numa escola bastante excepcional no seu modelo educativo, que até ao 4º ano não dá notas, apenas um comentário escrito, que de resto já conhecemos porque comunicamos regularmente com as professoras.
      São crianças responsáveis, interessadas, envolvidas na aprendizagem e nos problemas que os rodeiam. Têm até um vislumbre de posição política, veja bem!

      Estas crianças não serão os energúmenos que descreve, TAMBÉM porque não lhes foi destruido o prazer de aprender com kgs de trabalhos de casa após as 8 horas de escola diárias, bolinhas vermelhas de cada vez que se enganam, quadros de honra e outros desse hábitos promotores da desmoralização e de nos centrarmo-nos na nota e menos na aprendizagem.

      Não é após 7 ou 9 anos dum sistema de ensino que dá nas orelhas dos putos que vamos conseguir que eles descubram o prazer de aprender...

      Repito o que disse no início: "mágoas de escola". E todo o trabalho do Alfie Kohn. Procure na net o artigo "From degrading to de-grading". E venha contar-nos como se sente.

      Coragem!

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    3. carissimo colega MegaC4 permite discordar quase totalmente do seu comentário, concordo na questão que refere à sua disciplina, deve ser um professor com muitos conhecimentos na matéria, boa! Mas sabe a diferença entre ter os conhecimentos e TRANSMITIR CONHECIMENTOS E COMPETÊNCIAS? pois, esta é uma das dificuldades que sinto na escola, a questão PEDAGÓGICA é a base!!!! diga-me uma coisa que não represente nada para si? Deixe-me adivinhar.«animais de estimação» e se lhe aparecer alguém a dizer que «agora vai ter que aprender o que são animais de estimação, a anatomia, a patologia, a etologia, de todas as classe e de todas as familias, ... » já nem estáa ler, claro, pq entenda que «não preciso disto pa nada» e qd no nosso entendimento achamos que «nao preciso disto pa nada» simplesmente desligamos!!! agora imagine que está com um grupo de 20 e tal pessoas que não conhece, mais de metade não lhe dizem nada e 2 até o massacram o dia todo todos os dias com piadinhas e situações embaraçosas... sentado 90 minutos seguidos, mais 90 min... até às 5hrs da tarde... uau... atrativo???? Pois é, carissimo colega, um dos comentários que me dá mt vontade de rir, ou chorar, sei lá, durante os conselhos de turma? «ai, estas cadeiras, q horror, já estou aflita das costas», são as cadeiras omde os nossos alunos estão das 8hrs à 1hrs, ou às 5hrs da tarde... parece-lhe entusiasmante? se não for realmente 1 professor que consiga fazer entender os alunos o PRIVILÉGIO que é o CONHECIMENTO, difilmt teremos alunos entusismados nas nossas aulas... espere, esqueci-me de outra coisa... é que interiorizaram esta atitude há 5,8, 9, 12 anos... e 12 anos de atraso numa qualquer disciplina... ( sabe que há alunos que chegam ao 10º ano com negativa a Mat desde o 1º ano???) acha que eles vão querer ouvi-lo????
      sabe, eu entendo que a nossa GRANDE MISSÃO devia mostrar aos alunos como SUPERAR DIFICULDADES, mais que ensinar «programas»... não sabes resolver trigonometria? eu explico-te....
      Outra coisa, os animais de estimação não têm nada que se enquadre na definição que refere, pelo que devo adverti-lo para a sua enorme ignorância nesta matéria, conhece o livro «o macaco nu» de Desmond Morris? devia ler...
      Lembre-se que temos uma grande responsabilidade como professores, em ajudar os nossos alunos a superar obstáculos.. a vida é um eterno superar de obstáculos... por vezes, 1 pequena aprendizagem pode ter um efeito assombroso na evolução de um jovem que simplesmt desistiu pq não sabe que é capaz!!!!

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  11. Ora bem, este 2º é o parágrafo com mais "não quero saber". Faço saber que o meu ideal de aula é algo mais discutido e menos expositivo. Há assuntos que pela sua natureza são mais expositivos mas sempre que possível é encorajado o diálogo (válido e construtivo, não a conversa ruído). Satisfaz-me ver discussão da séria e válida, e não apenas de Matemática. Os temas podem variar desde biologia, política elementar, história universal ou boa educação até ao mais corriqueiro detalhe das vidas deles como tempos livres.
    Gostaria que esclarecesse esta frase: "Quero saber se tiveste a oportunidade de explorar livremente o teu caminho, sem julgamentos, sem deveres". É que de repente, esse "sem julgamentos, sem deveres" soa muito leviano, se bem que realista, dado que eles vivem segundo essas máximas, e que (caso não tenha ainda percebido) na minha opinião dão barraca da séria e desenbocam no panorama actual da educação (e não falo de escola como organismo, falo de cultura e conhecimento, capacidade de apreciar algo que se conhece e compreende). Bolas, de uma forma geral, o sistema deixa o aluno exprimir-se livremente. Já poucos serão os professores que sigam uma posição militarista de disciplina. No meu caso, ao longo de anos fui aprendendo a "falar a linguagem deles" e fazer-me entender e a manter a ordem de um modo pacífico, mas vejo desnecessários problemas com colegas, por culpa de uma corrente não responsabilizante do aluno, e em última instância dos pais. Resumindo, este seu parágrafo acaba por ser algo desnecessário dado que eles já vivem "sem querer saber das previsões do mercado de trabalho" (nem da responsabilidade necessária para um), sem querer saber da opinião que os outros têm deles (excepto nas futilidades adolescentes deles), exprimem-se à vontadinha (alguns até graffitis e músicas escrevem nas aulas à socapa, e ainda ficam indignados se são chamados à atenção, como se fosse o professor o desajustado da situação), divertem-se e exploram o seu caminho à vontade (seja lá o que isso for). Dir-se-ia que estiveram mesmo bem... mas não. Uma das coisas que acalenta a saúde mental do ser humano e o torna feliz é o sentir-se útil e sentir reconhecimento. Ora, isso é coisa que lhes falta. O que nos leva ao 3º parágrafo.

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  12. Não me parece que seja muito difícil deduzir o impacto que o que acabou de ser dito tem na "auto-estima e gosto pela vida" da criança ou do jovem que anda na escola sem "objectivos numéricos". Do que vejo, diria que é-lhes doloroso (não porque haja muita pressão parental, que em boa parte das vezes não há alguma sequer), desde já, mas ainda o vai ser mais no futuro, quando olharem para trás e virem (se na altura forem capazes de tal perceber) o que perderam e que não volta mais. Quer-me parecer que vai ser difícil "manter os sonhos" e "manter a confiança nos adultos", que ele pode (e em boa parte vai ter razão) culpar pelo seu insucesso (e não estou a falar de notas, mas do insucesso "interior"). Daí que vá ser complicado "continuar a acreditar em si, no pai e mãe, nos professores, nos seus amigos, e na vida". Ai, auto-estima!... onde andas?!
    Quanto a "ouvir os teus próprios pensamentos no meio das opiniões todas", parece-me muito sensato, mas requer uma boa dose de boa educação para que a dita criança seja capaz de tais introspecções, e sobretudo tenha capacidade de validar as que são positivas. Prefiro pensar que sim, e que alguns deles o conseguirão de uma forma responsável, e não um leviano "fazer o que der na gana só para ser irreverente".

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  13. Este parágrafo começa com "Quero mesmo muito saber se conseguiste passar estes anos todos de escola, sentindo o teu valor indeterminável… ainda com muito amor-próprio".
    Fale-se então dos anos que se passam na escola, do valor pessoal e amor-próprio.
    Quem me conhece sabe que defendo menos tempo de escola obrigatória. Um 9º ano sério seria mais do que suficiente e condenar um aluno sem motivação a mais anos na escola é um suplício, desperdício e deseducação. Suplício não só para ele mas também para os que com ele lidam. Despachando já o valor pessoal, cuja valor me parece óbvio e indiscutível, a frase, no seu todo, é poética e de facto é algo que se pretende para todo o aluno, aliás cidadão. O problema é que existe uma estreita co-relação entre os resultados escolares (notas, avaliação e metas númericas) e a sensação de realização de uma criança/jovem enquanto estudante. Muitos dos "baldas" sentem-se mal por serem baldas. É a velha filosofia de "porquê pagar a um ginásio para ir correr nas passadeiras se podes correr de borla na rua ou noutro sítio qualquer?", que pode ser respondida "Ah, é que assim, como já está pago, tenho de ir". Não ter objectivos numéricos mas de aprendizagem, cultura e conhecimento, muito bem, eu também concordo mas, na verdade, quantas vezes é que um aluno vai estar preocupado em aprender o que quer que seja se lhe não for exigido algum objectivo? Alguns defenderão, que o aluno lá terá os seus interesses e que irá procurá-los a seu tempo. A esses eu pergunto, quais interesses (para além da corrosiva incultura televisiva, futilidade e futebol)? E quanto tempo deveremos nós esperar pelo interesse e auto-motivação do aluno? Chegará em ela em vida? Em que situação estará ele quando for adulto "analfabeto"? Terá ele tempo de compensar o que não fez? Assumindo, claro está, que este alguma vez venha a ter capacidade para reflectir sobre isso. E destes, os mais perspicazes (sim, porque há baldas bem perspicazes, pelo menos em potência) serão os mais sofredores, dado que alguns passarão a vida toda ocupados com o vazio da mesma.

    Vou partilhar consigo um sonho meu ou utopia minha: eu sonho com o dia em que os professores sejam apenas dinamizadores de um dado assunto ou ciência e não mais sejam chamados a avaliar. Avaliar é um trabalho muitas vezes ingrato e uma das partes piores de se ser professor. Pessoalmente acho salutar poder discutir frontalmente com um aluno a sua posição e qual a minha opinião sobre o que ele sabe (algo que muitas vezes escapa ao próprio) e é capaz de fazer naquele momento, e sou um felizardo, pois além de me considerar justo (talvez um pouco condescendente, o que não é exactamente justo, mas em algumas situações é ético) e transparente, sinto o reconhecimento dos alunos por isso. Mas isso não me faz advogado de uma não existência de avaliação, e mesmo quantitativa. Para mim, como meritocrata que sou, esta será sempre necessária por uma questão de justiça (e mesmo assim é substituída muitas vezes pelo compadrio), em concursos de natureza diversa, desde acesso ao ensino superior, até ao emprego x ou cargo y. Mas vou mais longe, acho-a necessária por razões motivacionais, como já dei a entender no que escrevi acima. Não tenho filhos ainda com os quais aplicar e discutir o que penso, mas agradeço muito aos meus pais pela exigência que me transmitiram. Nem sempre foi fácil, nem sempre eles terão lidado da forma perfeita, mas a intenção base estava lá e deles a herdei. Não sejamos escravos dessa avaliação e apreciemos o real contributo que a escola nos pode dar para engrandecimento próprio, mas respeitemo-la.
    Não interprete este meu comentário como uma total discordância ao seu texto (há pontos em que concordamos) mas encontro-o ferido de leviandade e "diabolização" da avaliação quantitativa perfeitamente desajustados. Há demasiados "não quero saber" para uma sã responsabilização.

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    1. Obrigada pela sua partilha, megaC4. Tenho a certeza que é um excelente professor.
      Namasté

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    2. Honestamente MegaC4 (nome de código que revela imensa sabedoria), as suas palavras e pensamentos deixaram-se francamente exausta. Passou o tempo a falar de si e acabou por revelar tudo o que um professor não deve fazer.
      Fico triste por não poder abrir a porta das suas aulas, esticar a mão a esses desgraçados que devem estar tão cansados quanto eu agora fiquei, e dizer-lhes: anda, vem comigo, eu cuido de ti.
      De coração, também a si lhe estico a mão porque, claramente, sinto que precisa de ajuda.

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    5. SusanaG, a sério que ler um texto cansa? Imagino como terão sido as suas notas...
      Bem...
      No fundo aquilo que este prof, que não conheço, quer dizer, resume-se à última frase. Permita-me sugerir que a leia :)

      Amor e uma cabana??? Isso é ficção.
      Amanhã teria um perfeito anormal a operá-la num banco de urgência e depois quero ver se não gostava que ele tivesse tido boas notas...

      Namaste

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    6. O desencanto que o MegaC4 expressa na sua escrita revela apenas um duro contacto com a realidade e esta não se faz de utopias. A avaliação é necessária para o aluno se sentir motivado e reconhecido. A escola não é um parque de diversões onde o aluno tem de estar sempre feliz e apenas ser valorizado pelo que é e pelo que sente. E se for mau? Continua a ser tão valorizado como o aluno bom e assim somos todos felizes? A escola é aborrecida na maioria do tempo, não acredito que nenhum aluno adore decorar matéria e também não acredito que haja alguma forma divertida ou mais simpática de o fazer... podemos inventar jogos ou mnemónicas mas o esforço de memorizar vai ter de estar sempre lá. Esta nova moda de querer que a escola seja um divertimento para poupar as crianças ao esforço não me parece nada saudável. A escola é uma obrigação como todas as demais que os alunos vão encontrar ao longo da sua vida. E as notas são uma exigência normal para quem não faz mais nada senão brincar e estudar. Podemos encontrar formas mais interessantes e criativas de interagir com os alunos para os cativar e entusiasmar mas não podemos retirar-lhes a obrigação de estudarem e se esforçarem. Não basta divertirem-se. Não exigimos nota 20 se não tiverem capacidade mas exigimos que o seu esforço tenha sido máximo. E assim aprendem que o trabalho vai ser recompensado e que vale a pena estudar. Esta lição de justiça e de recompensa é das mais importantes que se aprendem na escola é desta forma que se melhora a auto-estima e se torna uma criança feliz.

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  14. Que texto lindo! Há muito que penso no quão obsoleto está o sistema de ensino, no quão doente está a sociedade! Levar esses princípios e valores até às nossas crianças é responsabilidade social! Até lá vamos fazendo a nossa parte..."quero lá saber de como o sistema olha para ti! Quero é saber como olhas para ti!"
    Muito bonito! Grata por partilhar, inspirar!
    Eu sou professora de yoga e tento levar a prática até às escolas...
    Bem haja
    Sónia Andrade

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  15. Sonia Andrade, era tão bom que yoga e outras áreas de desenvolvimento pessoal chegassem às escolas :)
    Eu acredito que vai acontecer :)
    Mia, obrigada pela partilha, mais ou menos utópica, mas que nos abre novos horizontes de visão para as nossas crianças de entusiasmo e criatividade tão regulada, que por vezes "falham" as notas por andarem com a cabeça na Lua a sonharem os seus "sonhos" mais ou menos possíveis mas muitas vezes "castrados".

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  16. Mia
    Obrigada pelo seu texto de que tive conhecimento através de uma amiga. A minha filha mais velha vai terminar este ano o 4º ano. Tem uma professora muito empenhada mas valorizando fundamentalmente os resultados finais. A minha filha é excelente aluna, porque é interessada, participativa e como tal está atenta nas aulas o que lhe permite bons resultados sem depois de um dia de aulas ainda vir fazer fichas e fichas de trabalho como é incentivado pela professora e muitos pais cumprem...Durante estes anos várias vezes me confrontei com a professora por discordar do fato de que estando uma criança todo o dia na escola não pudesse depois usufruir do resto da vida, família incluída...! E muitas vezes lhe disse que preferia a minha filha feliz e confiante nas suas capacidades do que a melhor da aula dependente das boas notas para se considerar bem sucedida...A professora nunca entendeu...falha minha talvez...que o não soube explicar! É como disse uma professora bem intencionada e devo-lhe o muito que a minha filha sabe ao nível curricular, mas no final do ano vou oferecer-lhe o seu texto...pode ser que para o próximo grupo de meninos abra a porta a uma nova perspetiva e portanto a uma nova atitude.

    Obrigada

    Maria

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    1. Como é que ela se vai sentir feliz e confiante nas suas capacidades sem haver avaliação?

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    2. Sabe Ana, eu tive as minhas primeiras notas aos 14 anos. Até lá tive a oportunidade de desenvolver muito gosto pela aprendizagem, muita confiança e muitas boas relações. Há muitas pedagogias, por exemplo Waldorf, que não trabalham com notas e avaliações. Acredito que a verdadeira felicidade não tem nada a ver com a escola em si, mas se falarmos de felicidade e confiança relacionada com a aprendizagem na escola, acredito que ela se revele quando sinto que consegui aprender algo, quando sinto que fiz uma conquista, quando sinto que criei algo, quando consegui resolver o problema de matemática que achava tão difícil, quando escrevi uma composição com qual me sinto muito satisfeita e que tenho a oportunidade de partilhar com os meus colegas etc. e para sentir isso não preciso de ser avaliada. Aliás, a avaliação pode funcionar ao contrário.... A minha composição não foi avaliada em tão boa como a da Ana, assim vou se calhar perder a felicidade que senti inicialmente, o João resolveu o problema de matemática mais rápido que eu... A Rita tem melhores notas na plástica que eu... etc.

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  17. Adorei o texto e, como mãe, subscrevo inteiramente. Também houve um dia em que fiquei farta e "pedi" à vida que me guiasse para uma alternativa. Foi aí que encontrei a Escola da Ponte, a escola com que sempre sonhei, sem saber que pudesse existir. Desde então o meu filho tem sido mais feliz, nesta aventura de descobrir a vida e a si próprio. Vale a pena conhecer... www.escoladaponte.com.pt

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  18. Muito bom Mia. Revejo-me totalmente nas suas palavras. Obrigada por partilhar connosco os seus pensamentos!

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  19. Obrigada. Gostava de contribuir com a publicação deste vídeo"eu tenho um sonho e vontade de viver. e tu?

    http://www.youtube.com/watch?v=dWI2wjBiHqs&list=UUfee0oDAiwhM8Rm5REK9Ruw&index=11


    Obrigado
    Sérgio

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  20. Chorei ao ler esta linda carta. Meu filhinho só tem 2 aninhos, mas exactamente assim que eu penso também. Obrigada!

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  21. Só uma grande mãe escreve algo tão profundo e sentido, sou educadora de profissão e tenho colegas que me criticam quando digo que a escola é acima de tudo um espaço para se ser feliz de descobertas de encontros de partilhas mas acima de tudo um espaço onde o respeito por tudo e por todos deve de ser imperativo e humano. Adorei a sua carta e partilhei-a com todos os que pude. Na sociedade de hoje cada vez mais é necessário que os nossos jovens cresçam com convicção de que são capazes de tudo sem perderem a sua identidade. Obrigada

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  22. Obrigada, amei, amei!
    Tão verdade, mas cada vez mais esquecido... a posição nos rakings, na escola no agrupamento, no país, a competição :(
    A pressão das professoras para que os seus alunos tenham as melhores notas, que por sua vez exercem uma pressão enorme nos miúdos. Neste aspeto, e com muita pena, não tenho dúvidas que a maior parte das pessoas está a remar no sentido oposto.
    Posso dizer que só no início deste ano é que fui ver as notas do ano passado do meu filho mais velho. eh!eh!
    Sofia Tormenta

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  23. Li e gostei. Tenho pena de ter lido alguns dos comentários negativos, especialmente os de um professor. Sinto isto cada vez mais e acho que quem defende o sistema tradicional de ensino em que há metas exteriores ao aluno a cumprir, não é capaz de compreender que é o método e o sistema em si que cria o desinteresse e a "balda". Pareça ou não um contra-senso quanto menos importância nós pais e professores damos ao resultado mensurável do ensino mais interesse em aprender as crianças têm. Aprendem a gostar do caminho que perecorrem e não apenas o destino final, e a vida não é mais do que um percurso.

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    1. apesar de tudo os prof.s não estão imunes à ignorância (parcial... é o chamado conhecimento espartilhado... pouco útil e nada funcional)... nota: sou profª ;) e continuo a trabalhar na superação da ignorância... é uma vida :)

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  24. Mia,

    nunca em toda a minha vida encontrei um texto que tão bem representasse aquilo que sinto. :)
    Muitos parabéns por esta partilha. Bem haja !

    Beijinho

    Catarina Lorvão

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  25. Queria partilhar o exemplo desta escola, penso que como pais era este modelo de escola que deveríamos exigir ao nosso governo para a formação dos nossos filhos, que vai tão de encontro ao descrito nesta carta :) http://www.tsf.pt/Programas/programa.aspx?content_id=917979&audio_id=3417081

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  26. Obrigada pela partilha. Agora estou preparada para entender.

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  27. Excelente! Se este outro lado existisse, então todos seriamos mais competentes...

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  28. Concordo com alguns pontos da sua missiva mas veja, mesmo as nossas crianças não pensando no seu futuro, alguem tem de o fazer, educar e ver que na nossa sociedade tudo é quantitativo, adoro os meus filhos, mas existem regras e como mãe acho que a exigência também trará no futuro muito próximo deles sanedoria acrescida. Pois eu quero saber das notas...pois eu quero saber se o sistema lá esteve ma quero acima de tudo: que os meus filhos me digam, que sou a melhor do mundo, mesmo com milhões de defeitos e que lhes darei todas as ferramentas que conheço para que sejam felizes, realizados e acima de tudo pessoas com educação e humildade.

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  29. Eu quero... sabes que isto é tudo muito bonito, mas quando as notas não chegarem para passar e por causa delas o aluno for impossibilirttado de completar um certo grau de ensino, isso vai reflectir-se na vida dele/a mais tarde.
    A cena de amor e uma cabana que esta carta traz deve referir-se apenas ao "quero lá saber das tuas notas se derem para passar e não te fizerem perder o acesso à faculdade de medicina PÚBLICA a que tanto queres aceder!" Aí sim, concordo...

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  30. olá, cheguei a este post através do FB da Teresa Antunes, e permita-me dizer que acabou por resumir (o que me parece mt mais dificil) 1 problema da educação dos nossos jovens, e acabou por listar as competências que os nossos jovens deviam adquirir em cada final de ciclo, porque são as competências que enunciou( no final do texto) que lhes vão dar capacidade para desenvolver o conhecimento nas várias ciências que o Homem inventou, nas artes, na vida em geral, porque 1º somos pessoas, e se não chegamos a ser pessoas, não conseguimos avançar para mais nada. Sou professora de EF há 25 anos, e nos últimos conselhos de turma desespero para tentar passar a ideia de que a escola está estéril, o nosso papel é formar cidadãos, humanos, a matemática, o PT, a EF,são meros instrumentos... não posso, não devo, centrar o ensino no resultado!!!! que é o que se faz... por isso refere, e muito bem, não quero saber das tuas notas!!!! Esta questão não é nada fácil, e é a base da organização de uma sociedade... os jovens vão ser os futuros adultos... vamos garantir que o serão da melhor forma possivel :) Estou apostada em fazer 1 projeto que vai ser qqr coisa como uma escola de artes, não para os alunos que querem ser bailarinos, musicos, pintores, cavaleiros, atores, etc.... mas porque todas as crianças deviam ter o direito de «se exprimir» como refere na carta... e as artes é o que fazem... exprimem-nos... quando temos 1 alma para o fazer... permita-me, mas vou copiar oseu texto e enviar num mail para o pai do meu filho, referindo a autora, evidentemente, porque eu tenho vivido este drama desde sempre.... agradeço-lhe por ter exprimido tão bem aquilo que sinto... aproveito e desejo FESTAS FELIZES e o maior sucesso para os seus descendentes!!!

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  31. olá, Mia,!

    Partilho das mesmas palavras cheias de amor.
    Hoje, sou professora mas, como aluna fiz sempre aquilo que gostavam e não aquilo que os outros gostavam que eu fizesse. Os melhores mestres foram os meus pais, a minha professora do 1.º ciclo que ensinou tudo da melhor forma que sabia (com amor) e um dia eu sonhei ser professsora com ela. A seguir, outros bons professores vieram, alguns marcaram pela positiva e outros pela negativa, mas mesmo nestes eu vi algo de positivo para a minha evolução como pessoa. Todos, com quem nos cruzamos temos a a prender algo bom. Ensinar com amor... tudo se conquista. É urgente, o amor!...

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  32. Olá vim aqui parar por uma partilha no fb. Queria desde já dizer que concordo com o seu texto. Como mãe de uma menina de 8 anos e outra de 1 e meio penso o mesmo. Assim como não me esqueci do que foi para mim a escola... Não por ser difícil mas por ser desinteressante. Não sei se conhece o projecto educativo da escola da ponte. Com quase 40 anos em Portugal e pública representa para mim um objectivo realizável para todas as escolas onde todos nós, pais, alunos e comunidade escolar somos respeitados. L

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